François Muleka em Curitiba

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16/10/2014

Na minha opinião, você está diante de grande arte quando enxerga um objeto na sua frente que não para de “transcender”.

E com não parar de transcender quero dizer: não parar de gerar um sentido que supera a si mesmo. Você num átimo se vê diante de um ente que concentra animação vital de tal forma que se sua razão ou coração tenta acompanhar os caminhos propostos por ele a única possibilidade é perder-se. E então você cala e então, é claro, é isto que é estar diante da beleza.

Imagine que a vida lhe colocasse diante do seguinte desafio, para testar sua força: você perde sua visão e é colocado num país irreal de um outro mundo. Lá você é deixado até se sentir completamente perdido, sem qualquer direção.

O que você sente não é desespero ou dor. Você simplesmente quer ouvir a vida, mas ela está falando outras línguas, deslavando outras músicas e ela não te vê. Você não a culpa, sente que não a pode culpar, pois, lúcido, sabe que ela não o está condenando e sim apenas correndo em infinitas outras direções. E você é um.

De repente, num instante, a voz de um irmão (ou irmã) passa a te dar inúmeras coordenadas. Esta voz não está fazendo questão de te amar, mas te lembra do amor. Esta voz é mais a voz da simplicidade do que a da razão. Esta voz traz tanta razão que se torna impressão: abertura de caminho. Ela diz: vá. Esta voz constrói por prazer inúmeras pontes e é a voz da arte.

Assim foi o som apresentado por François Muleka, Trovão Rocha e Fernando Lobo ontem, aqui em Curitiba no bar 351 (situado na Trajano Reis).

Girando em torno das músicas do primeiro, estes três moleques fizeram uma tal demonstração do que é arte que eu me senti como na época em que alimentar a expectativa de encontrar tesouros em forma de bandas (geralmente de rock) era um dos maiores e mais elevados hobbys à disposição. E de vez em quando acontecia. Aconteceu.

François é a grande revelação como compositor de música brasileira na cidade de Florianópolis. Entenda o que o casamento de suas melodias e seu ritmo, seu conceito próprio, está fazendo em qualquer uma de suas músicas e descubra você mesmo o espanto que este músico tem gerado. Trata-se, com toda certeza, de uma pessoa que está primordialmente, nas suas primeiras aspirações, interessada em fazer música e não outra coisa. Trata-se de um artista-músico e não há maneira possível de desmentir isto.E ele está brilhando e sabe pra onde vai.

Acompanhavam-no o baixista e maior parceiro musical Trovão Rocha (um virtuose que a todo tempo está fazendo arte e não firula e que sempre impressiona pela maturidade) e o baterista Fernando Lobo. Este músico, por sua vez, (bastante conhecido na cena por tocar com o grande Molungo, trabalho solo e vários outros projetos) impressiona pela irmanação ao som de François e Trovão.Além de excelente instrumentista, Fernando (que salvo engano meu tocou pela 2ª vez com seus colegas) entendeu por dentro o que esta música pede. Sua sagacidade no instrumento mostra que estamos diante de outro artista de grande espírito.

Que François volte mais vezes à Curitiba, pois certamente ele tem tudo a ver com aqui.

Entendedores se espantarão.

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