Led no auge, ao vivo

led_zeppelin_-_bbc_session_-_1A maior performance ao vivo de uma das maiores bandas do rock, o Led Zeppelin, é pra mim esta, vagamente conhecida por estar no disco 2 do álbum BBC Sessions.

Em geral os shows mais conhecidos do Led são os dos dvds oficias da banda, ou inúmeras performances isoladas, piratas e quase sempre de qualidade de gravação duvidosa ou ainda o álbum triplo How the west was won. Nenhum desses shows chega aos pés do show no Paris Theatre em 1971.

As razões são claras. A banda estava no auge: era a época (prévia) do lançamento do álbum IV, aquele que tem Stairway to heaven – e também When the levee breaks. A voz de Plant estava no auge e dali por diante nunca mais seria a mesma em intensidade, força, entrega e potência – ele praticamente adoeceria em termos de possibilidades com a voz e mesmo atitude.

Os excessos da banda, que começaram na turnê do Houses of the Holy em trajes folclóricos para cada um dos integrantes, um drumkit imenso para John Bonham, efeitos de luz e palco, jams intermináveis e muitíssimas vezes de gosto duvidável, a banda consagrada como deuses olímpicos da ciência autodestrutiva do rock, ainda não tinham contaminado o grupo.

A energia, a concisão e a técnica que pra mim estão no posto número 1 da história do rock estão ali, expressas cruamente, ao vivo, neste show. As três primeiras músicas são quase que algo de um fenômeno sobrenatural passando pelo mundo. Immigrant song, Heartbreaker e Since I’ve been loving you tem um tal poder de expressão que não só se equiparam ou até superam as suas versões de estúdio, como mostram o porquê de cada um dos integrantes serem considerados os maiores gênios na história do estilo, cada um individualmente em seus instrumentos e juntos em explosão sonora.

Led-Zep-1971

Não sei quem brilha mais. Talvez Page com seus improvisos mágicos e singularmente cerebrais: os solos em Thank You, Heartbreaker e Since I’ve been Loving You são uma mostra da cartilha na qual todo punheteiro devia rezar antes de achar que sabe solar. Mas seguido de perto por todos os outros. Plant está cantando como nunca, eu ousaria dizer  que é sua melhor perfomance vocal de sempre incluindo a dos discos.

A própria Dazed and Confused que muitas vezes é tida como um teste de paciência pra se apreciar do começo ao fim (durando em média 20 minutos ao vivo) aqui aparece mais enérgica e melhor captada. Se você acha completamente impossível ouvir com ouvidos puros Stairway to Heaven pode tentar com a versão presente neste show. A voz de Plant soa nova, crua e confiante como nunca para essa música. Trata-se de uma performance da música feita ao vivo na rádio meses antes do lançamento do álbum em que está incluída.

Há ainda uma versão com bastante guitarra limpa e marcial de Black Dog, uma excelente execução de Whole Lotta Love com os tradicionais pot-porri de clássicos do blues e rock and roll e um set acústico mágico com Going To California e That’s the way.

Faço esse post pra chamar a atenção a esse show, um dos marcos do meu começo no rock e um convite tanto a converter quem ainda não entendeu Led Zeppelin quanto quem, quando fala da banda, fala sempre de um de seus óbvios ou quase óbvios caminhos.

Ouça o show no Spotify.

Texto publicado também no site Whiplash.

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