Para gostar de Radiohead – ou não

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A bela arte de Stanley Donwood para o álbum King of Limbs

 

Não, não sou um crítico de música hipster, indie ou nerd. Não coleciono bandas, não consigo ouvir muita coisa nova, não leio sites de música toda semana, etc Sou um ouvinte junkie, mas minhas paixões musicais evoluem vagarosamente, vou me demorando em novas descobertas que aparecem instintivamente, no que passo a as destilar e estudar. Serei por isso nerd? Talvez.

Quem não curte Radiohead pode ao menos ouvir esta música, Bloom. Você pode achar a banda triste, chata, detestar a voz do Thom e acreditar que eles não merecem a imensa consideração que têm – a maior a unir amor popular e crítico desde o Nirvana, apesar de em escala muito menor. Acontece que do outro lado do seu gosto como sempre pode estar um tesouro e, parafraseando Stendhal,  chega um momento em que devemos finalmente nos atrever a compreender. Nem que seja um outro lado que permaneça como tal.

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A excêntrica (e bela) versão de Romeu e Julieta de 1996 conta com a minha música preferida da banda, Exit Music. Radiohead não se trata simplesmente de tristeza, truta, e sim de algo como uma reinterpretação contemporânea de elementos do trágico.

 

O melhor começo de todos é pra mim essa música, primeira canção do álbum King of Limbs (2011), oitavo na discografia. Preste atenção e ouça com o coração. Ali está a expressão como que de uma psicodelia original e futurista em uma conquista (aquilo que vem do experimentalismo bem intencionado) extremamente musical e inteligente.

As contemporâneas e artísticas linhas de baixo e melódica (esta ousada, inspirada, musical), o desenho total da canção em seu arranjo que é complexo mas de maneira alguma entulhado, a impressão da passagem das primeiras frases do teclado para um loop de algumas notas, a escolha quase lunática para essas percussões, os efeitos sensoriais que atacam de saída e que, como sempre na história da banda, se mostram de alto bom gosto, tudo isso é bastante fascinante nesta faixa.

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A cadeira de Van Gogh é um quadro monótono? Não né? Por que?

Uma coisa é você ter seus juízos e sua opinião sobre música. Nesse sentido ouvir música é, para a grande maioria das pessoas, algo como “aceitar impressãozinhas agradáveis”. Agora, para os mais dispostos, em sossego merecido e corados, não custa nada pensar um pouco sobre essa ocupação (ou semi-ocupação) e estar, assiduamente, diante de qualquer artista que não gostamos mas que é elogiado com respaldo, com ouvidos novos.

Você pode achar Fake plastic trees nada demais e o Kid A inteiro chato. Mas com Bloom o Radiohead tem o quadro límpido do que sempre está a tentar ou dizer.

Se alguém ouvir, fique á vontade para discorrer nos comentários.

 

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