Caminhos para a crise

“O trabalho dos tropicalistas aguçou e explicitou a função crítica da produção artística: apontou, conforme afirmou Caetano Veloso, para a ‘necessidade de que cada gesto, cada modo de se apresentar, cada arranjo, cada instrumento escolhido, opinassem sobre o panorama geral da música popular no país.’ O conhecimento do Brasil proposto pelo tropicalismo volta-se simultaneamente para a tradição e o presente e vincula-se a esta forma crítica de compor e cantar. A importância que atribuíram à reinterpretação de compositores e cantores da tradição musical brasileira – alguns totalmente esquecidos; outros, mais recentes, considerados apenas comerciais pela crítica, e outros ainda estrangeiros, que marcaram o gosto do público e influenciaram a música popular brasileira – decorre desse fato. O conhecimento das contradições brasileiras é operado indiretamente pela metamorfose dessas contradições em estrutura de canção. Assim, ao desatualizarem interpretações tradicionais, como, por exemplo, as de Orlando Silva, Roberto Carlos e Simonal, os tropicalistas não só os reinterpretaram, mas propuseram uma crítica de estilemas culturais.”

(Celso Favaretto, Tropicália: alegoria, alegria)

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