Entrevista com James Joyce

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Entrevista fictícia com James Joyce que escrevi em 2011. 

Faust Silver: Sr Joyce você acha que em 2011 ainda estarão lendo o seu Ulisses?
James Joyce: Com certeza não. No máximo estarão sonhando com o Finnegans Wake. De olhos bem abertos. E olha lá.

FS: E por que razão você acha que negarão a sua maior obra?
JJ: Porque minha maior obra não é essa. Está em andamento. Colocarei apenas elementos. Bebidas mais leves e ácidas (a cor é que é muito importante). Mil mantras curtos e grossos. Grandes bunkers elevados em que se esconda tudo, etc, etc Não me canso de ver o fato de que eu inventei o plágio.

FS: E a vanguarda então? Como que fica? Existirá?
JJ: Estão acertando os últimos detalhes. Apelidei-a de B.A. Mas a B.A. é como que um tom. Ponho homens e mulheres dançando em volta de B.A., em mil carrosséis de cavalos pretos, em grandes bandos de membros grandes, sem possibilidade de circulação. Abraçado à B.A. está um cantor com cara de sapo, baixinho, gordinho e de heróicas sutilezas em vozes femininas. Todos o acham um doce. Mas pus veneno dentro. Serve-se comidas pantanosas onde se enfiaram animais sujos benzidos em ervas. Tudo em escala micro. Grande será o horror.

FS: E porque você não descreveu estas visões?
JJ: Porque estou esperando a versão pirata. E estou com coceira na perna direita.

FS: Mas o gozo da original não lhe valeria a pena?
JJ: A maior das penas (a esferográfica) tenho-a nas minhas mãos.

FS: Compreendo. Haverá futuro então para a literatura?
JJ: Tão só e somente.

FS: Sr Joyce, o que você pensa da ficção científica?
JJ: O meu muito obrigado.

FS: Como você definiria a Europa em uma palavra?
JJ: Tichibum.

FS: James, existe a mulher perfeita?
JJ: Creio que não, mas a mais imperfeita é imensa, cheira à asa e tem e terá sempre amor no nome. É afeita a galhofas. Puns. E outros prazeres.

FS: Você acredita em inspiração ou apenas no fluxo de consciência?
JJ: Isto não é pergunta que se faça para uma bailarina profissional.

FS: De toda a história universal qual personalidade você mais admira?
JJ: Ficaria entre o asno e a borboleta.

FS: Algum filósofo?
JJ: Alguns.

FS: Quais?
JJ: Nenhuns.

FS: Para terminar, sr Joyce, para o senhor há algum acontecimento lamentável na história humana?
JJ: Talvez a letra Z de zebra, pela qual de vez em quando me vejo perdidamente enamorado.

 

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