Meu voto

“Absorvidos pela conversa, mal notamos sua filhinha, que brincava nas vigas, quando a mãe nos chamou a atenção para a menina e a vimos atravessar o espelho. No salão dos espelhos, a ‘narrativa em abismo’ das vigas, ela se afastava cada vez mais de nós e, ao adentrar a distância, também adentrava o passado.

Mas, de repente, ali estava ela bem atrás de nós: tudo o que fizera havia sido pular as vigas em volta da sala. E ali estávamos nós, um crítico e um artista bem informados sobre a arte contemporânea, tomando aula de uma criança de seis anos de idade, cuja prática deixava nossa teoria muito para trás. Sua brincadeira com a obra trazia à tona não só as questões específicas do minimalismo – as tensões que sentimos entre os espaços, as imagens que vemos e as formas que conhecemos -, mas também os desvios gerais na arte das três últimas décadas – as novas intervenções no espaço, as diferentes construções do modo de ver e as definições ampliadas de arte.”

“A expansão horizontal da arte depositou uma carga enorme sobre os artistas e o público: à medida que o artista passa de um projeto a outro, ele precisa aprender a amplitude discursiva e a profundidade histórica de muitas representações diferentes – como um antropólogo que entra numa nova cultura a cada nova exposição.”

(Hal Foster, O retorno do real)

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