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“Se a vanguarda histórica [anos 10 e 20] e a primeira neovanguarda [1950s] tendiam frequentemente ao anarquismo, a segunda neovanguarda [60s] às vezes sucumbe a impulsos apocalípticos. ‘Talvez a única coisa que se possa fazer depois de ver uma tela como a nossa’ observa Buren num momento desses em fevereiro de 1968, ‘é a revolução total.’ De fato, essa é a linguagem de 1968, e artistas como Buren a empregam com frequência: sua obra procede da ‘extinção’ do ateliê, escreve ele em ‘Fonction de l’atelier’ [A função do ateliê] (1971); ela se propõe não simplesmente ‘contradizer’ o jogo da arte, como ‘abolir’ suas regras por completo. Essa retórica, mais situacionista que situada, ecoa os pronunciamentos oraculares, amiúde machistas, dos alto-modernistas. Nosso presente está destituído desse sentido de revolução iminente; também é punido por críticas feministas à linguagem revolucionária e repreendido por interesses pós-coloniais sobre a exclusividade não apenas das instituições artísticas, mas também dos discursos críticos. Em consequência, os artistas contemporâneos, preocupados em desenvolver a análise institucional da segunda neovanguarda, passaram das oposições grandiloquentes aos deslocamentos sutis (…) e/ou a colaborações estratégicas com diferentes grupos (…). Essa é uma forma de continuidade da crítica da vanguarda e mesmo da própria vanguarda. E não é uma receita para o hermetismo ou o formalismo, como às vezes se alega; é uma fórmula de prática. Também é uma precondição para qualquer compreensão contemporânea das diferentes fases da vanguarda.” (Hal Foster, O retorno do real)

Imagem: Jaloo

 

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